Apesar de bloqueio dos EUA, navios sancionados atravessam Estreito de Ormuz
Donald Trump anunciou na segunda-feira o início de um bloqueio militar ao tráfego marítimo ligado ao Irã
Pelo menos três petroleiros atravessaram o Estreito de Ormuz nesta terça-feira, 14, apesar do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos na rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, segundo dados de navegação.
O navio-tanque chinês Rich Starry foi o primeiro a atravessar o estreito e a sair do Golfo Pérsico desde o início do bloqueio, segundo dados da LSEG, MarineTraffic e Kpler. A embarcação e a proprietária, Shanghai Xuanrun Shipping Co Ltd, foram alvo de sanções americanas por negociarem com o Irã.
Além da embarcação chinesa, o petroleiro Pacific Gulf, que navega em direção ao porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, com bandeira do Panamá, e o Murlikishan, embarcação do mesmo tipo com destino ao Iraque, também atravessaram o estreito.
Como as três embarcações que transitavam pela rota marítima não partiram nem se dirigiam a portos iranianos, elas não estão sujeitas ao bloqueio americano.
Bloqueio americano
Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o início de um bloqueio militar ao tráfego marítimo ligado ao Irã. A operação entrou em vigor após o fracasso das negociações de paz no fim de semana.
Trump afirmou que embarcações iranianas que se aproximarem da área serão alvo das forças americanas. Segundo ele, lanchas de ataque rápido “serão destruídas” caso tentem romper o bloqueio. Apesar da escalada, o presidente disse que Teerã “quer muito fazer um acordo” e revelou que os Estados Unidos receberam um contato do país nas últimas horas.
O principal impasse nas negociações, segundo ele, segue sendo o programa nuclear iraniano. Trump também afirmou que pretende recuperar estoques de urânio enriquecido em posse do país.
Nos últimos meses, o Irã vinha permitindo a passagem de petroleiros pelo estreito mediante cobrança de pedágios que, segundo relatos, chegariam a até US$ 2 milhões por embarcação.
A Guarda Revolucionária reagiu ao bloqueio afirmando que qualquer presença militar hostil na região será tratada “com rigor”.
O agravamento da crise já impacta os mercados globais. O preço do petróleo voltou a superar os US$ 100.
Após o anuncio do novo bloqueio, a agência das Nações Unidas para alimentação, a FAO, alertou que o prolongamento das restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise alimentar global. Segundo o economista-chefe da entidade, Máximo Torero, uma parcela significativa do fornecimento mundial de insumos essenciais para a agricultura — como petróleo, gás natural, ureia e fertilizantes — está sendo afetada pela dificuldade de navegação na região, em meio ao conflito no Oriente Médio.





