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Rússia prepara envio de segundo petroleiro a Cuba apesar de bloqueio dos EUA

Primeiro navio já atracou em Havana com mais de 700 mil barris, com o aval de Trump, que permitiu o carregamento russo como um 'gesto humanitário'

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 abr 2026, 10h39
Rússia prepara envio de segundo petroleiro a Cuba apesar de bloqueio dos EUA Priorize VEJA no Google

A Rússia anunciou nesta quinta-feira, 2, que enviará um segundo petroleiro a Cuba, submetida a um bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos. No início desta semana, a embarcação Anatoly Kolodkin atracou em Havana com mais de 700 mil barris do combustível, marcando a primeira chegada de um navio do tipo à ilha caribenha em quase três meses — coisa que o governo Donald Trump disse ter permitido como um “gesto humanitário”.

“Um navio da Federação Russa atravessou o bloqueio. Agora, um segundo está sendo carregado”, declarou o ministro da Energia, Sergey Tsivilev, citado pela imprensa estatal russa.

Antes do petroleiro atracar na terça-feira no porto de Matanzas, ao leste de Havana, o último navio do tipo havia chegado em 9 de janeiro, quando o México entregou um carregamento após a derrubada de Nicolás Maduro com uma operação militar americana na Venezuela seis dias antes. Até então, Caracas era o principal fornecedor de Cuba.

A ilha enfrenta uma profunda crise energética que provocou apagões frequentes, um drástico racionamento de combustível e a redução do transporte público. “Não deixaremos os cubanos em apuros”, afirmou Tsivilev à imprensa russa, na mesma linha das declarações recentes do Kremlin e do Ministério das Relações Exteriores.

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O porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, afirmou pouco antes da chegada do primeiro petroleiro à ilha comunista que o “tema havia sido apresentado de antemão” com Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permitiu a entrega de petróleo russo a Cuba, apesar do embargo.

No último domingo, o ocupante do Salão Oval declarou que não via “nenhum problema” na entrega de petróleo da Rússia a Cuba, apesar de ter impedido a chegada à ilha de petróleo venezuelano e também de outros países como o México, sob a ameaça de implementar tarifas.

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Crise energética

Sem receber mais os carregamentos de petróleo que importava da Venezuela — interrompidos após a captura de Nicolás Maduro pelo governo americano em janeiro —, Cuba atravessa um de seus momentos mais vulneráveis. Nos últimos meses, o país enfrentou uma série de apagões, deixando mais de 10 milhões de pessoas sem energia elétrica e afetando serviços essenciais, como hospitais e escolas.

Na semana passada, Trump intensificou suas ameaças contra a ilha, afirmando que “Cuba é a próxima” durante um discurso em um fórum de investimentos em Miami, no qual exaltou os sucessos das ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã. O republicano, aliás, não esconde o seu desejo por uma mudança no regime castrista, chefiado pelo Partido Comunista em território a apenas 150 km dos Estados Unidos.

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Desde o início do ano, disse que Havana “vai cair muito em breve”; que deve “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências; também falou em uma “tomada amistosa” da ilha.

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O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, por sua vez, já havia afirmado anteriormente que qualquer tentativa americana de tomar o país enfrentaria uma “resistência inabalável”. No entanto, ele confirmou que seu governo abriu diálogo com representantes dos Estados Unidos, para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”.

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