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Como o baby-doll virou uniforme de empoderamento entre as celebridades?

A peça que nasceu na lingerie desafia convenções, provoca debates e ressurge como símbolo de autonomia feminina

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jun 2026, 07h00
Como o baby-doll virou uniforme de empoderamento entre as celebridades? Priorizar nos meus resultados Google

É sim provocador quando uma mulher veste aquilo que o mundo insiste em interpretar por ela. E esse é o papel do baby-doll, que agora volta ao centro da moda, mas não como fantasia ou nostalgia, e sim como declaração.

Curto, solto, rendado, com laços ou babados, o modelo que durante décadas habitou gavetas de lingerie agora circula por palcos, tapetes vermelhos e ruas movimentadas. E não por acaso. Em um momento em que as discussões sobre feminilidade, sexualidade e autonomia voltam a ocupar o centro do debate cultural, celebridades estão transformando o baby-doll em algo maior do que uma tendência: uma mensagem.

A principal porta-voz é Olivia Rodrigo. Nos últimos meses, a cantora adotou a silhueta quase como uniforme visual de sua nova era musical. Vestidos curtos com mangas bufantes, rendas delicadas e modelagens inspiradas nos anos 1990 passaram a aparecer em clipes, apresentações e campanhas promocionais. O resultado foi imediato: uma enxurrada de debates nas redes sociais sobre feminilidade, infantilização e liberdade de expressão. Ela não hesitou em responder afirmando que sua inspiração vinha justamente de figuras punk como Courtney Love e Kathleen Hanna, e não de qualquer ideal de ingenuidade ou submissão.

Girl Power

Mas talvez a questão mais interessante seja esta: por que um vestido tão simples continua provocando tanta reação? A resposta está na história.

Muito antes de chegar à geração Z, o baby-doll já havia sido apropriado como ferramenta de autonomia e subversão. Nos anos 1980, Madonna praticamente escreveu o manual dessa apropriação. A rainha do pop construiu carreira transformando símbolos tradicionalmente ligados à fragilidade feminina em instrumentos de força, seja com lingerie à mostra, rendas ou silhuetas inspiradas em roupas íntimas, estabelecendo a ideia de que mulheres podem vestir códigos de delicadeza sem abrir mão de autoridade.

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Madonna, a rainha do empoderamento - lingerie sempre fez parte de seu repertório fashionista
Madonna, a rainha do empoderamento – lingerie sempre fez parte de seu repertório fashionista (Kevin Mazur/Coachella/Getty Images)

Nos anos 1990, Courtney Love transformou o modelo em peça-chave de sua estética. Ela combinava vestidos aparentemente inocentes com maquiagem borrada, cabelos desalinhados, meias rasgadas e botas pesadas. A intenção era criar um choque visual entre delicadeza e agressividade, romantismo e revolta. O chamado “kinderwhore”, movimento associado ao universo riot grrrl, utilizava códigos considerados femininos para questionar expectativas impostas às mulheres – ou seja, naquela época, já era empoderamento.

Courtney Love de baby doll com botas, meia arrastão e maquiagem borrada: força da rebeldia dos anos 1990 e inspiração de Olivia Rodrigo
Courtney Love de baby-doll com botas, meia arrastão e maquiagem borrada: força da rebeldia dos anos 1990 e inspiração de Olivia Rodrigo (Jeff Kravitz/FilmMagic, Inc/Getty Images)
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Três décadas depois, a fórmula reaparece sob novos códigos. Sabrina Carpenter talvez seja quem melhor traduz a versão contemporânea com seus figurinos de palco que misturam corsets, rendas, transparências e referências boudoir. No caso dela, a peça aparece associada a uma feminilidade assumidamente teatral, divertida e consciente do próprio poder de sedução. A imagem da “bonequinha” existe, mas quem controla a narrativa é ela.

Sabrina Carpenter: da magia à sedução, sempre com baby-doll em cena
Sabrina Carpenter: da magia à sedução, sempre com baby-doll em cena (TAS2024/Getty Images)

Ariana Grande é outra que frequentemente incorpora elementos da estética coquette, tendência de moda que exalta a hiperfeminilidade, o romantismo e a nostalgia, e que dialoga diretamente esse universo baby-doll, além de Taylor Swift, que também já demonstrou simpatia pela tendência ao surgir em modelo semelhante aos usados por Sabrina Carpenter.

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Em comum, todas elas vão na linha das múltiplas interpretações – romantismo x rebeldia; inocência x provocação – mas com o poder feminino à frente. Afinal de contas, as novas adeptas do baby-doll não parecem interessadas em agradar nem em desafiar ninguém especificamente, mas sem em sua autonomia no vestir. O que não deixa de ser irônico, porém, é que uma peça criada para o quarto tenha encontrado sua maior força sob os holofotes.

Ariana Grande: estética coquette conversa diretamente com os baby-dolls
Ariana Grande: estética coquette conversa diretamente com os baby-dolls (Raymond Hall/FilmMagic/Getty Images)

 

 

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