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Irã afirma que atacou base aérea americana e tensão sobe no Oriente Médio

Regime descreve ação como resposta à violação do cessar-fogo pelos EUA, que realizou disparos contra drones em Ormuz e uma instalação militar no sul iraniano

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 Maio 2026, 08h48 | Atualizado em 28 Maio 2026, 10h44
Irã afirma que atacou base aérea americana e tensão sobe no Oriente Médio Priorizar nos meus resultados Google

A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atacado nesta quinta-feira, 28, uma base aérea americana no Oriente Médio, caracterizando a ação como uma resposta aos novos disparos dos Estados Unidos contra o sul do país.

A força ideológica do regime dos aiatolás, paralela e mais poderosa que o Exército, não informou a localização da base, mas o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou que o Kuwait interceptou “com sucesso” um míssil balístico lançado pelo Irã. A nação árabe abriga uma instalação americana e também disse ter interceptado “ameaças hostis de mísseis e drones”, sem especificar a origem.

Mais cedo, as Forças Armadas americanas comunicaram ter abatido drones iranianos sobre o Estreito de Ormuz e atacado uma instalação militar em Bandar Abbas, uma estratégica cidade portuária no sul do Irã, alegando legítima defesa. (A guarda islâmica alegou que a base aérea no Kuwait “serviu de lançamento para o ataque” em Bandar Abbas, segundo a emissora estatal IRIB.)

“Essa flagrante violação do cessar-fogo pelo regime iraniano (ataque ao Kuwait) ocorreu horas depois de as forças iranianas lançarem cinco drones de ataque unidirecional, que representavam uma clara ameaça dentro e nas proximidades do Estreito de Ormuz. Todos os drones foram interceptados com sucesso pelas forças americanas, que também impediram o lançamento de um sexto drone a partir de uma base de controle terrestre iraniana em Bandar Abbas”, informou o Centcom em nota publicada no X (ex-Twitter).

Escalada de tensões

A retomada das hostilidades parte a parte ameaça o frágil cessar-fogo em vigor desde o início de abril, bem como o processo diplomático dos últimos dias para a obtenção de um acordo que encerre a guerra de forma permanente. Esta é a segunda vez em três dias que o Exército americano ataca alvos no Irã, alegando que os ataques foram “calculados, puramente defensivos e destinadas a manter o cessar-fogo”.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, condenou os ataques americanos desta quinta-feira e afirmou que eles constituem uma violação do cessar-fogo. Ele acrescentou que a república islâmica “tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania nacional”, de acordo com declarações citadas pela IRIB.

Na segunda-feira 25, os Estados Unidos já haviam confirmado uma rodada anterior de ataques de “autodefesa” no sul do Irã, quando alvejaram instalações de mísseis iranianos e embarcações que, segundo o Centcom, tentavam instalar minas explosivas no Estreito de Ormuz, onde milhares de cargueiros e petroleiros estão retidos devido ao conflito. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica disse ter abatido um drone americano e disparado contra um caça F-35 na terça-feira.

Washington, além disso, anunciou sanções à recém-criada “Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico”, o órgão iraniano responsável pela cobrança de pedágios de navios que transitam por Ormuz, rota por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta. Qualquer embarcação que pague a taxa também poderá estar “sujeito ao risco de sanções”, afirmou o Departamento do Tesouro americano em um comunicado, acrescentando que a medida de Teerã equivale a “extorsão” e que o regime está “desesperado por dinheiro”.

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Negociações travadas

Após um final de semana com acenos parte a parte que reduziram as tensões no Oriente Médio, as negociações para encerrar o conflito voltaram a ser postas em dúvida nesta semana. Durante uma reunião de gabinete na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o Irã está “negociando com recursos limitados”, insistindo que sua estratégia de guerra não será afetada pelas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro.

Durante a reunião, o presidente também instou as nações do Golfo a assinarem os Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel, que entrou na guerra ao lado dos americanos em 28 de fevereiro e também está envolvido em um conflito com o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irã, no Líbano.

Trump advertiu que retomará a campanha de bombardeios caso o Irã não concorde com seus termos, subindo o tom também com Omã (ameaçou “explodir” o país caso tente controlar o Estreito de Ormuz junto aos iranianos). E apesar do otimismo do fim de semana, o presidente disse na quarta-feira que os Estados Unidos “não estão satisfeitos” com as propostas mais recentes de Teerã — que, por sua vez, logo alertou que um acordo “não era iminente”.

Suas declarações vieram após a TV estatal iraniana divulgar o que alegou serem detalhes de um memorando de entendimento, que incluía a reabertura do Estreito de Ormuz e a retirada das forças americanas da região. A Casa Branca classificou o texto como uma “completa invenção”.

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